Arquivo da Categoria: Activismo

Bloco de Esquerda nas autarquias do Algarve

LAGOS trabalho articulado entre a Associação de Pais da Escola EB 1 n.º2,  secretariado da Coordenadora Distrital do BE e o seu grupo parlamentar evita encerramento da unidade de ensino LAGOA eleitos do BE em Assembleia Municipal defendem alteração da linha ferroviária regional dotando a cidade de Lagoa de uma ligação à actual rede ferroviária, proposta aprovada por unanimidade naquele órgão. TAVIRA membro do BE na Assembleia Municipal questiona aquele órgão acerca da instalação dos apoios de pesca há muito esperada pela comunidade piscatória local. OLHÃO Assembleia Municipal de Olhão aprova recomendação do deputado Rui Filipe do BE para a reparação do alcatrão utilizado para a prática de atletismo por atletas locais. PORTIMÃO o grupo municipal do BE propõe primeira hora gratuita de estacionamento na cidade como forma de contribuir para a revitalização do comércio local. Tetris online is variative game. Play it one click away!

A Parque Escolar em Faro – Secundárias João de Deus e Tomás Cabreira

A escola pública merece bons edifícios escolares, que sirvam o ensino. A Parque Escolar apostou em edifícios com toques de luxo, em soluções economicamente irracionais e em opções de baixa funcionalidade.

Materiais de revestimento do chão e paredes caros e de trabalhosa manutenção de limpeza, persianas de elevadores elétricos de manutenção exigente, a demolição de um anfiteatro de construção recente, bem equipado e de dimensões adequadas à escola, para construção de uma nova unidade, são exemplos de desperdícios luxosos da reconstrução da João de Deus.

Mas também a opção por um sistema de circulação forçada do ar por motores elétricos, que, na Secundária de Évora, implicou o gasto, num só período escolar, da verba total do ano para consumo de eletricidade. Continuar a ler

Entrevista de Éric Toussant ao Esquerda.net

Ativistas de Faro pintam mural anti-FMI!

Ganhar a Vida

O DIA EM QUE O POVO SE JUNTOU NA RUA E DESABAFOU

 

A tarde de 12 de Março de 2011 foi um momento mágico para os milhares de cidadãos de Faro e de muitos outros pontos do Algarve que se juntaram no Largo de S. Francisco e depois desfilaram pelas ruas da baixa da cidade.

Aos mais velhos lembrou o entusiasmo e a liberdade do 25 de Abril de 74. A outros lembrou os dias de solidariedade com Timor. Para todos, para as várias gerações à rasca dos dias de hoje, foi a altura de deitar para fora o que lhes vai na alma.

Antes e depois do desfile, foi curto o tempo para tantos testemunhos de jovens e de idosos, de filhos e pais, que perderam o medo e a vergonha e partilharam a raiva e os desejos numa emoção colectiva.

Uma razão pesada e angustiante, soltando-se em todas as falas: o trabalho precário e o desemprego. A incerteza do tempo presente sem futuro capaz à vista. Não em frases feitas já tão gastas, mas nas palavras vivas do estudante universitário incomodado pelo descanso dos pais cada vez mais adiado; da jovem contratada despedida há dois meses da Câmara de Faro; da mãe revoltada pela filha ausente num call-center de Lisboa a ganhar menos de 500 euros; do senhor de 80 anos que leu o poema da luta por um futuro melhor; do balconista poeta que desejou Abril de novo…

Todos diferentes mas todos iguais, clamando que já chega de sacrifícios vãos e de mentiras mil vezes repetidas.

Na marcha pelas ruas da cidade, passo rápido de quem tem pressa na mudança, as palavras gritadas para todos os gostos, do sério à brincadeira, das vozes de muitos, à piada de uns poucos: “Deixa passar, deixa passar – estamos na rua pr’á nossa vida mudar!”, “Queimar uma geração, não é solução!”, “Trabalho não acho, dêem-me um tacho!”, “Nem só mais um – trabalhador precário!”, “O que é que é feio? – ficar no passeio!”, “E o que é foleiro? – ficar no poleiro!”…

Tantas vozes gritando juntas pela primeira vez nas ruas, tão surpresas de se verem tantas e tão animadas, que o velho e desacreditado grito de o-povo-unido-jamais-será-vencido, pareceu outro e capaz de ser verdade.

Hoje, passado quase um mês e depois da entrega na Assembleia da República dos largos milhares de folhas A4 erguidas naquele dia, só por si contendo, se respeitadas, a mudança necessária, em todos ficou na boca um sabor a pouco. Por isso, aumentaram ainda mais as ligações na Net e novos manifestantes se juntaram aos que vão a todas, no protesto contra as portagens e na manifestação dos sindicatos a 19.

Por isso, a absurda continuação dos cortes nos salários e nas pensões, do aumento do desemprego e da precariedade, vão obrigar todo o país à rasca a novos protestos, já não apenas a dizer o que não quer, mas a lutar também pelas políticas de que precisa.

E nas próximas eleições, já tão perto que talvez dê para o dia 12 não ficar esquecido, se as gerações à rasca sentirem o mesmo impulso desse dia, não ficarão em casa, nem irão para a praia, e os políticos foleiros que há mais de 30 anos se têm revezado nos poleiros, sentirão eles, ao menos um pouco mais do que é costume, o que é ficar à rasca.

Vítor Ruivo

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