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Associação de Músicos: Frente à acção de despejo, por uma sede definitiva

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Entrevista Armindo Dias, sócio fundador da Associação Recreativa e Cultural de Músicos

Bloco de Esquerda – A Associação Recreativa e Cultural de Músicos (ARCM) enfrenta uma ordem de despejo por parte do tribunal a pedido da promotora imobiliária Cleber SA. Qual é a posição da ARCM perante a ordem de despejo?

Arlindo Dias – Nós não queremos passar por cima de leis, nem de decisões, nem de tribunais. Estamos num espaço criado por nós, praticamente todo reconstruído, com salas de ensaio e uma sala de espectáculos. Vamos tentar manter-nos o máximo de tempo que pudermos, pois é aqui que temos condições para o nosso trabalho. Quando se chegar à decisão final e as autoridades nos vierem tirar daqui, esperamos já ter arranjado soluções alternativas. Até lá vamo-nos defender como pudermos.

BE – Como defines o papel da ARCM em Faro?

AD – O nosso papel tem muitas vertentes, a vertente recreativa, cultural e até social. Penso que é reconhecido por todos que temos feito um bom trabalho e que temos ajudado a cidade no desenvolvimento da cultura, na vertente social ajudando várias instituições e associações com a disponibilização da nossa sala polivalente e multiusos. Na vertente recreativa e de apoio à criação, a ARCM alberga muitos jovens nas 18 salas de ensaio que disponibiliza e apresenta uma programação cultural constante.

BE – Como te sentes agora que um negócio privado pode pôr em risco o futuro da associação?

AD – Sentimo-nos muito mal em relação a isso. Quando viemos para aqui isto era um espaço abandonado e pensámos que iria continuar assim. Reconstruímos isto tudo e investimos muito aqui. Na altura pensámos que iria valer a pena e apostámos neste local pensando que estaríamos aqui quinze ou vinte anos, o que faria com que o nosso investimento de dinheiro, suor e trabalho valesse a pena.

A senhoria na altura não tinha nenhum plano para o local e isso fez-nos pensar que poderíamos manter-nos cá durante vários anos, isto depois de se ter estado noutros espaços e se ter pedido soluções à CMF ao longo dos anos.

Sabemos que se ficarmos sem sede e sem local de ensaio para as 31 bandas poderem continuar a sua actividade deixamos muitos jovens e muitos projectos na rua, o que fará com que a maior parte se depare com dificuldades que não lhes permitirão continuar.

BE – Luís Coelho, ex Presidente da CMF, actual Presidente da Assembleia Municipal é também procurador da Cleber, SA neste negócio. Qual é a tua opinião acerca do seu papel neste processo?

AD – O papel do Sr. Luís Coelho, Pres. da Ass. Municipal, é muito importante. Provavelmente outras pessoas não pensariam neste espaço, ele está numa posição privilegiada para saber o futuro da cidade e, estando envolvido neste negócio, com certeza que teve um papel decisivo na escolha deste local junto à ria, na entrada da cidade.

O Sr. Luís Coelho, que é parte interessada neste negócio e representa a empresa compradora, a Cleber, SA, assumiu com a senhoria, na altura da venda, o compromisso de arranjar um espaço alternativo para a ARCM e nós apelamos a que esse compromisso seja cumprido.