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GROUNDFORCE – NÃO DESISTIR DA LUTA

Os 337 trabalhadores da escala de Faro da Groundforce vivem, desde 10 de Novembro passado, sob o cutelo do despedimento. Para todos eles foi bem amarga a quadra natalícia e é com angústia que começam o ano de 2011.A forma ilegal e sem escrúpulos que a Administração usou para anunciar o despedimento mostrou, desde logo, a intenção de evitar qualquer solução que possibilite a manutenção da Escala de Faro e dos postos de trabalho. Os trabalhadores responderam com grande energia e unidade. Até hoje foram várias as deslocações a Lisboa, os plenários e a participação a 100% na greve geral de dia 24 de Novembro. O apoio de familiares e de muitos cidadãos farenses teve uma expressão inédita na cidade e levou a diversas concentrações de centenas de pessoas no aeroporto e em Faro solidárias com a resistência ao despedimento. Apesar de tudo isso, a situação marca passo e a Administração apenas cedeu em não despedir uma pequena parte dos trabalhadores. Inicialmente, propondo a continuação das sete grávidas e lactantes e de um dos cônjuges de cada um dos quinze casais existentes na escala de Faro. Indignados, praticamente todos esses trabalhadores recusaram a proposta. Entretanto a Administração aproximou-se um pouco da proposta sindical de transferência dos trabalhadores, mas apenas para um número à volta dos cinquenta. Por detrás desta atitude está a intransigência em encerrar Faro, como pressão para negociarem um novo contrato laboral da empresa em condições bem piores, a meio caminho para a desintegração de toda a Groundforce e para a privatização da própria TAP. A diminuição do tráfego aéreo, os prejuízos reais e inventados, são o mero pretexto para avançarem nesse objectivo. Por isso não se incomodam com os milhões de prejuízos da filial brasileira, não se importam da incompetência e dos abusos da gestão espanhola da Globália, sabotaram reuniões e propostas sindicais, negociaram ou rescindiram de forma disparatada acordos com companhias aéreas e só por insistência de outras prolongaram até ao fim de Fevereiro a actividade dos trabalhadores actuais. Sintomaticamente, a Portway, que antes usou os seus trabalhadores (os quais em relação aos da Groundforce são mais mal pagos, com menos direitos e precários) para substituir e enfraquecer a luta, já negociou agora com as companhias aéreas novos contratos bem acima dos valores anteriores com que sabotava a existência da Groundforce. No entanto, tanto uma como a outra empresa, são entidades subordinadas à TAP e ao Estado e as respectivas administrações, de conluio com o governo, têm-nas manipulado apenas com o fito de baixar custos e da futura privatização. Estes factos tornam muito difícil a luta pelo não encerramento de Faro e, por tal, o BE, embora desde o início tenha denunciado esses objectivos e questionado o Governo, tem consciência, sobretudo em Faro, das fraquezas do apoio prestado. Ainda assim, atrevemo-nos a dar a opinião de que, para garantir que não haja despedimentos, ou o menor número de rescisões nas melhores condições possíveis, já não chega a determinação e a unidade que os trabalhadores tiveram até aqui. Pior será se a resignação e o medo passarem a dominar por completo. É indispensável que as acções de luta, em vez de esmorecerem se radicalizem e alarguem a todas as outras Escalas e articulem com os trabalhadores da TAP. O abaixo-assinado em circulação é, nesta fase, para além de boa intenção, apenas um voto piedoso. Por isso, a desconvocação da greve deste fim de ano, sem nada de consistente em troca, nos pareceu uma má decisão. Também a nível do Algarve será indispensável um maior apoio sindical promovendo o alargamento da solidariedade com esta luta, a sua maior mediatização e articulação com as lutas dos trabalhadores da Alicoop, da Unicofa, e de outras empresas ameaçadas de paralisar ou de encerrar na região.