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O candidato que salvará Portugal do desastre criado por ele próprio

Cavaco Silva candidato. Grande profeta. Se não tivesse sido por ele, nunca teríamos sabido que a crise tinha chegado. De facto, ele sabia da crise porque dispunha de informação privilegiada.  Toda a vida ocupou os postos públicos chaves de primeira linha. Antes de entrar na política, trabalhou no Banco de Portugal (BP). Foi Ministro de Finanças de Sá Carneiro e, seguidamente, Primeiro-Ministro 10 anos, durante os quais abraçou as ideias thatcheristas da “economia social de mercado”. Após a sua saída da cena política em 1995, regressa ao BP.

Assim, quando já Presidente da República, devia ter um bom conhecimento dos lucros desmesurados que produziam os famigerados BPP e o BPN. Todos eles sabiam. Muito dinheiro dos barões social-democratas estava depositado nestes bancos, sob o cuidado dos seus antigos amigos Dias Loureiro, João Rendeiro, Oliveira Costa, entre outros. O primeiro foi seu ministro e, mais tarde, “o seu” Conselheiro de Estado. O “ideólogo” do PSD. Nem quando os dois bancos deixaram de honrar os seus compromissos e rebentou o escândalo, Cavaco Silva recomendou a Dias Loureiro o seu afastamento do Conselho de Estado. Hoje, o amigo presidencial vive um exílio dourado em Cabo Verde.  João Rendeiro recebeu das mãos do Cavaco Silva uma medalha de mérito, enquanto se ocupava de esvaziar os cofres do BPP. Prémio merecido. O candidato conhece igualmente bem o presidente e coveiro do BPN, Oliveira e Costa, seu Secretario de Assuntos Fiscais. Sim, ele sabia da crise, porque conhecia bem os seus amigos. Até hoje nenhum dos seus amigos respondeu pelo dinheiro roubado no BPN e BPP. Após o roubo milionário e as despesas desgovernadas do Governo PS, as contas não batem certo. É preciso pagar. O governo de direita de Sócrates prepara o OE 2011. Com o apoio decidido do candidato Cavaco Silva e do seu partido, exige o cumprimento rigoroso do OE. Alguém tem de pagar ou, como dizem os ricos: “Todos devemos fazer um sacrifício”. Os trabalhadores do sector público já começaram a pagar directamente das suas algibeiras. É a chamada “política de contenção salarial”. Os representantes dos bancos alemães, franceses e ingleses aplaudem. Bruxelas aplaude. Ricardo Salgado, porta-voz político dos banqueiros portugueses, aplaude. Belmiro de Azevedo declara Cavaco o melhor candidato. Grande festa. Mas senhores e bancos ainda não estão satisfeitos. Querem explorar mais os pobres. Para tal, reforme-se o Código Laboral, desvie-se dinheiro dos trabalhadores para pagar as indemnizações dos seus despedimentos. “Mais flexibilização”! gritam em coro Governo, PSD, banqueiros, UE, economistas dos ricos, toda a sua imprensa e, naturalmente, o candidato Cavaco Silva. Cavaco anuncia a sua recandidatura. Voz grave de gente séria para o auto-elogio das suas qualidades éticas e políticas. Ele é economista e homem de Estado. E o que fez este homem de Estado com o dinheiro da UE que chegou em barda nos 10 anos em que foi Primeiro-ministro? Ofereceu-o aos donos de Portugal. Empresas do povo português foram vendidas ao preço de chuva. Chamou-lhe“privatizações”. E auto-estradas, muitas das quais os portugueses pagam hoje do seu bolso. O reino das empreitadas sem controlo nem fiscalização nem qualidade. O desprezo ambiental. O paraíso das derrapagens orçamentais. Enraizado o “cavaquismo”, o seu mentor retirou-se da política… para preparar a candidatura presidencial. Hoje vemos o resultado da aplicação da “economia social de mercado”. João Rendeiro, Jardim Gonçalves, Dias Loureiro, Oliveira Costa, entre tantos outros, são exemplos do tipo de “empresário de sucesso” do modelo económico impulsionado por Cavaco Silva.  O candidato deve explicar a razão de este modelo económico, por um lado, enriquecer os seus amigos e outros “empresários” dos semi-monopólios em que o Estado participa e, por outro, empobrecer os 90% restantes de portugueses. Deve esclarecer que limites estabelece à destruição dos serviços públicos, que revisão constitucional pretende apadrinhar: se, depois de ter iniciado o processo de privatizações de empresas, aprova agora a entrega dos sectores rentáveis da prestação dos serviços públicos de saúde e ensino aos negócios dos grandes grupos privados.

É este o candidato que se apresenta para ajudar a resolver os problemas do país! Portugueses!

Por favor, salvemos Portugal.

Não votemos Cavaco Silva.

Em defesa do Estado Social

As próximas eleições presidenciais são um passo importante na definição dos caminhos de saída para a crise em que o país se encontra. O voto de cada um de nós é necessário e indispensável para combater a ofensiva da direita contra quem trabalha, em defesa de uma sociedade justa e coesa.A culpa da crise não é de quem trabalha. Nos últimos anos, com especial relevo durante os governos de Cavaco, assistimos à destruição do tecido produtivo português. A nossa economia ficou baseada na especulação financeira, na construção civil ligada às grandes obras públicas e à grande distribuição, tudo áreas mais protegidas da concorrência internacional. Com o agravar da crise, que provocaram, assiste-se a um ataque a todos os mecanismos de defesa e garantia de igualdade dos cidadãos. Há muitas maneiras de enfrentar esta crise, mas a opção defendida pela direita é proteger o capital financeiro e fazer recair os custos da recuperação económica nas camadas trabalhadoras e desfavorecidas. A afirmação “os ricos estão cada vez mais ricos, os pobres cada vez mais pobres” não é um chavão. O enorme escandaloso aumento de vendas de carros de luxo em plena crise veio confirmá-lo. Por um lado arranjam-se argumentos para proteger e não taxar a banca, manter os paraísos fiscais, etc.. Por outro lado, assiste-se à redução dos salários, ao não cumprimento do compromisso do aumento do salário mínimo, ao aumento dos impostos, à redução do subsídio de desemprego, ao aumento generalizado do custo de vida, aos cortes nos serviços essenciais, etc. . As desigualdades sociais são cada vez maiores.Urge eleger um presidente que defenda um Estado Social. Um estado que garanta a igualdade dos cidadãos e proteja os mais fracos. Pela defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) geral e tendencialmente gratuito é um direito dos cidadãos garantido na nossa constituição. A indústria da saúde é um negócio apetecível pelos grandes grupos financeiros e a destruição do SNS é uma das suas propostas.Pela defesa da Escola Pública. A garantia de um ensino público de qualidade e universal é uma das traves mestras da coesão social e da igualdade dos cidadãos. Temos de votar contra as tentativas de desqualificar o ensino público, favorecendo o desenvolvimento de um ensino de elite para os ricos.Pela defesa da Segurança Social. A destruição das garantias sociais é um dos passos necessários para criar uma mão-de-obra dócil e barata. Este é um dos objectivos da actual ofensiva da direita com a redução do valor e duração do subsídio de desemprego, ataque ao rendimento social de inserção, etc..
Porque é o futuro do país que está em jogo nestas eleições presidenciais, o Bloco de Esquerda reforça o seu apelo ao voto em Manuel Alegre no próximo dia 23.